Arquivo da categoria ‘Mammals on the brink of Extinction’

As pessoas precisam de comer. Os animais precisam de comer. Os terrenos são os mesmos e entram em conflito de propriedade por parte do Homem, aquele que sente esse sentido. A riqueza pressiona a exploração dos recursos naturais. Já não se distingue ouro, petróleo, diamantes, elefantes, rinocerontes, baleias. Já não se distingue vida de morte. Já não se sabe da necessidade de uma tribo comer nos Camarões ou de um abastado ocidental pagar a um País para matar um animal de grande porte pelo troféu como no Botswana.

Não passaram muitas décadas desde que se falava no mito do grande caçador branco. Tempos de colonialismo e perspectivas diferentes sobre a vida animal. Décadas depois, elefantes e rinocerontes estão a ser levados à extinção pela ocupação dos  seus próprios terrenos, pela agricultura, pelo gozo da caça, pela fome de uma tribo, e sobretudo pelo marfim, que neste momento  vale mais do que ouro, e sendo exportado para mercados orientais vale a esperança de uma reprodução do Homem. Desde os Camarões ao Quénia, do Krüger National Park, Moçambique a Botswana, do Congo ao Sudão, por todo o território onde haja um trilho de elefante o Homem persegue e mata. Somos caçadores desde que começámos a atiras pedras e seremos até à extinção do que nos dê mais lucro.

Os compradores são orientais que já esgotaram as suas próprias reservas animais, reduzidas a dezenas ou alguma centena, com sorte, em pontos mais remotos de floresta. Vietnamitas, Tailandeses, Chineses para não mencionar outros.

Conrad teve a visão do imperial, ocidental, apocalíptico. O Congo, rio acima, a destruição, Hoje acrescentada pela das árvores.

Herman Melville fez o mesmo com “Moby Dick”, a baleia branca que estaria no centro daquela perseguição e vingança que haveria de levar todos ao fundo do mar. Hoje, com desculpas e fugas, perseguimos baleias para experimentação científica por parte dos japoneses e para matar por parte dos nórdicos, juntamente com os golfinhos.

Destruímos e destruiremos tudo o que estiver no caminho do que nos dê dinheiro, do que sejam os bens universais que exploremos, e destruiremos quem se oponha a este caminho de destruição em nome de suposta riqueza.

O que nos falta então? Cultura? Tolerância, compreensão do mundo?

Ou somos simplesmente estúpidos e não compreendemos que um dia acabaremos como um Dodô?

António Cara D’Anjo – 2013/Out

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