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A Cultura Sempre Morre Primeiro

Publicado: julho 2, 2011 em Culture

Para que nos serve a cultura se é mais fácil pegar numa pedra e partir uma montra para comer?

Esta é a atitude recorrente em relação à cultura. O parente pobre de um corpo economicamente doente no mundo dito ocidental e civilizado.

Para que nos serve a educação se no fim nos dão um canudo na mesma e o trabalho depende do familiar bem colocado ou amigo a quem se fica a dever um favor ou ainda do partido a que se escolhe pertencer por conveniência futura?

Para quê qualquer coisa se o que vale é dinheiro?

É melhor emigrar? Sim mas há desvantagens. Os franceses não gostam de nós, os alemães também não. Diz Merkel que os povos do Sul da Europa não trabalham. Será que se refere a Barroso? E vendem-nos submarinos avariados? Será que foram feitos por portugueses ou por alemães?

Em tempos de miséria nunca roubámos nem cemitérios nem sinos de igrejas nem o vizinho mas comemos pão e sardinha. Hoje, os sobreviventes serão os que tiveram histórias passadas de boca em boca em família.

Depois da Segunda Guerra assistiu-se a um declínio do movimento cultural até ao Maio de 68. Os anos 70 foram criativos. Socialmente tudo melhorou com a queda dos últimos ditadores europeus e nos anos 80 descobrimos uma geração nova, os yuppies (young upperly mobile professionals) que eram uns rapazinhos bem vestidos de Armani que gostavam de fazer muito dinheiro e rapidamente com jogos de bolsa. O seu interesse pela cultura não era mais do que eventualmente comprar um quadro para depois vender a ganhar. Tornaram-se nos novos ditadores com sobrenomes ligados por hífen e uma apetência voraz por dinheiro. Havia pilhagem para as harpias. Foi o regresso ao crescimento das fortunas em detrimento de mineiros, estaleiros, agricultura. A banca atacava liberalmente que foi uma palavra que sempre convenceu as pessoas. Liberal é bom. Tomem lá com o capitalismo liberal. E a cultura? Esteticamente virou.

Voltando ao assunto, se hoje se interrogarem sobre um símbolo para Portugal, o que pensarão? Os mais velhos as quinas, a geração de 68, o Galo de Barcelos, os mais novos uma faixa verde com uma vermelha… Conjecturas que me levam a pensar num símbolo para uma marca de Cultura Identitária Portuguesa que sirva para marcar tudo o que produzimos e exportamos.

Esta é a cultura ou marca identitária perante o exterior e também perante o comércio interno no sentido do incentivo ao consumo do que é produzido por nós. E temos que melhorar muito a avaliação dos pequenos produtores em contraste com o favorecimento dos grandes.

Mas afinal o que é cultura? É saber de cor Camões, conhecer escrita antiga, história, geografia, e tudo o que nos ensinam? Não é só.

Cultura é saber fazer com toda a informação que temos uma linha de pensamento que seja uma marca identitária geral que seja mais importante que tudo o que é material e que seja a cabeça de uma forma de ser de um povo. É a base para tudo. Ser culto é ser mais elevado. É uma missão maior do que para muitos a pregação.

Quantas crianças aprendem música em Portugal? Quantas crianças visitam museus  ou locais de interesse. Quantos desempregados que gostariam de trabalhar na cultura veem a sua vida sem incentivo quando podiam estar a trabalhar num núcleo museológico? E quantos podiam investigar em troca do subsídio de desemprego ou da reinserção social. Talvez o país deixasse de ser tão preconceituoso.

Trate-se a cultura com respeito e talvez os nossos netos venham a ter uma identidade, seja como país ou como federação de estados, mas que aí saibam quem são e talvez não sejam tão evidentemente manobráveis por serem incultos ou aculturados.  

clip_image004Photo Rui Mateus »

Born in Lisbon in 1954, he studied Sculpture in the 1970’s at The Lisbon School Of Fine Art  until he came to the age of twenty, to dedicate himself to another passion, the Theater, which took him to set, poster, prop and light design, and ultimately to the stage as an actor. Soon after, his first film would come.

The 1980’s were spent in London, working and living. On his return to Portugal he became a teacher for a few years.

In the 1990’s and the first decade of this century he dedicated himself to Television, Advertising and Cinema.

He presently lives in Lisbon, maintaining his activities and extending his painting to the Netherlands, which he regularly visits and where he has produced most of his work in the past six years, also visiting museums and historical places that have much changed his views of the present world, both abroad and mostly at home. This has been his third major change in artistic life.

“One must go away, so that the distance leaves space for reflection”, “I must feel the freedom of being abroad” and “I’m a central european citizen, as far as my mind goes”.

António Cara D’Anjo