VOTAR DE UMA CERTA MANEIRA

Publicado: maio 1, 2011 em THOUGHTS

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O  X e o branco

Continuamos teimosamente a seguir o caminho do carreirismo irreflectido, enfileirado e vendido. Cada um de nós já não tem memória das histórias dos nossos avós sobre senhas de racionamento em consequência de grandes convulsões sociais, tenham sido guerras mundiais ou lutas internas. Continuamos a gastar porque somos egoístas em relação à sociedade e muito católicos, o que nos  permite pedir desculpa pelas máximas culpas e assim procurar a absolvição dos disparates em que vivemos, das gulas, dos gastos, das mentiras, alienados da realidade que o poder temporal nos deixa.

Deixamos passar todos os dias uma oportunidade de exigir responsabilidades directas a quem colocou e coloca o País nesta miséria, sejam políticos, sejam banqueiros que pedem ajuda para alimentar mais os seus lucros e emprestar sem critério a quem não pode obviamente pagar isto, mais aquilo e aqueloutro, sejam companhias nacionais com lucros chorudos que impedem a livre e muito mais barata concorrência em produtos de comunicações e outros bens básicos para o nosso desenvolvimento social e cultural. Porquê pagar por igual se a responsabilidade não o é? Porque são os restos da classe média para baixo quem deve suportar os erros dos premiados administradores ou gestores que não só não fizeram aquilo para que foram nomeados, como o fizeram pior do que o seu contrato minimamente lhes pediria. Porventura existem aí cláusulas de despedimento com justa causa? A meu ver, as páginas centrais dos jornais que hoje trazem situações de insolvência deveriam ser preenchidas também com os haveres muito rapidamente ganhos por uma classe de gente que devia estar presa por dolo. E isto aplica-se desde antigos Primeiros-Ministros, Ministros, Secretários de Estado, boys de qualquer forma, gente que arranjou emprego por favor, como há quarenta anos atrás, e todos os  arrogantes que temos que aturar na parte da sociedade que não produz e não trabalha e continua impune e também não permite que pessoas com maior idade e experiência trabalhem, porque é necessário que os novos trabalhem. Estamos inquinados e o nosso sangue pior que o de uma dinastia purulenta.  Há uma série de gente que um dia não terá nada e neste momento poderia estar a servir qualquer lugar com competência. Há dias visitei um Museu que não cito nem situo e só digo que tem a ver com o sol nascente e constatei que a frente de gente que atende o público tem quase toda o nariz tão empinado que parece que querem fazer de nós estúpidos logo na compra dos bilhetes. São novos com todo o respeito para com os bem educados que nos espantam. A diferença para com os museus Europeus é abismal, porque os outros estão cheios de gente que é bem recebida e informada por quem lá trabalha com um sorriso. Ir a Caixa de Previdência ou às Finanças tratar de alguma coisa dá vontade de não ir mais. De facto, a vontade que temos enquanto cidadãos é a de não dever nada a ninguém se pudermos, ter dinheiro num Banco estrangeiro e por favor, Doutor, que seja só para os Médicos. Tenho saudades de quando trabalhava no estrangeiro porque era livre. Porque valia por mim e não era comparado por idade com alguns idiotas concorrentes ao mesmo posto. Porque não era o meu nome que valia, nem os conhecimentos da minha família, nem a desonestidade de se dizer de um partido para arranjar trabalho por conta de agitar uma bandeira.

Quando for votar vou ter sempre estes pensamentos comigo. NADA X BRANCO. Os partidos de esquerda que nunca se colocam como parte do problema sendo de cá continuam a usar e abusar de dois defeitos absolutos. Existe o Eles e o Nós. Esta tentativa de desmarcação vem desde antes do 25 de Abril. É histórica. Significa Os Eleitos e Os Trabalhadores e uma participação de agitação social clandestina na tentativa de organização da luta. Nos últimos anos, contudo, com assentos no parlamento e aspirações a condução de ideias novas, é no mínimo disparatado que se use da mesma linguagem e sobretudo que sejam sempre os mesmos a falar e os outros a bater palmas. Partidos que aspiram a dirigir opiniões e formar governo devem ter o que os Ingleses chamam Gabinete Sombra, ou seja, um grupo de peritos em áreas diferentes que se substituem em opinião ao Gabinete em exercício de funções, ou seja o Governo eleito. Que se acabe com o seguidismo mais uma vez.

Por fim constato que muitas cabeças desinteressadas no País se preocupam com soluções que caem em ouvidos moucos. Não existe vontade. Existe hipocrisia. Eu não posso contar com o meu País. Não posso contar com seriedade, honestidade e princípios. Não posso contar com a Democracia que me é apresentada hoje.

Dito isto, encontro-me sem um espelho político que me permita votar em consciência, e daí volto ao problema do X ou do branco.

Vou votar, se estiver no País, mas comigo ninguém conta, e mais, marcarei a minha posição com uma cruz sobre todos os que não valem a pena, aqueles em quem não me revejo. A esta altura já há vitórias. O jogo é sujo. Já tiveram muitos anos para provarem o que valem e quem são. Todos. Há quem possa argumentar que me demito da vida. Eu prefiro pensar que quem concorre a governante se demitiu há muito do seu papel na sociedade para passar a sanguessuga de uma feira de vaidades. Governos sim, mas com todos e não só com dois ou três, e obrigados a exercer com seriedade sob pena de acusação pública.

Compreendo muito bem o desapontamento dos capitães de Abril.

A Casa onde viveu o Zeca em Coimbra e a do Maia em Castelo de Vide estão ambas abandonadas. Uma tem um azulejo e a outra uma lápide.

António Cara D’Anjo

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